sexta-feira, 3 de maio de 2013
Bom dia!!!! Parabéns às ganhadoras da rifa do Grupo Vínculo!!!
Livro "Da gravidez à amamentação": Patricia Alves Rodrigues Figueira
Livro "Da gravidez à amamentação": Vick Castro
Sling de Argolas: Luciana Vivas
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Programação completa - II Encontro de Humanização Materno Infantil
segunda-feira, 29 de abril de 2013
II ENCONTRO DE HUMANIZAÇAO MATERNO INFANTIL
Com MUITA alegria comunicamos o II Encontro de Humanização Materno Infantil de Campinas !
Com médicos e profissionais renomados, está RECHEADO e IMPERDÍVEL !
Façam suas inscrições !!!
Integra ao evento uma LINDA exposição de fotos da fotógrafa Kelly Stein. A mostra estará disponível para visitas durante TODO MÊS DE MAIO!
Não deixe de visitar na SARAIVA Megastore Iguatemi Campinas
terça-feira, 16 de abril de 2013
Fisiologia do Parto
No último encontro de gestantes, falamos sobre a Fisiologia do Parto. O tema foi conduzido pela enfermeira obstetra e também doula, Adriana de Lima Mello.
Para quem não pode comparecer ou quer relembrar um pouquinho do que foi discutido, segue um resumo feito por ela com carinho para você!!
Fisiologia do Parto
por Adriana de Lima Mello
Enfermeira Obstetra, Doula e Educadora Perinatal
O parto é um processo involuntário conduzido por partes “arcaicas” do cérebro portanto, quando uma mulher está em trabalho de parto, a parte mais ativa de seu corpo é o cérebro - primitivo, o sistema límbico: hipotálamo e a hipófise, que nós compartilhamos com todos os mamíferos. O neocórtex (parte racional de nosso cérebro) é quem é capaz de nos inibir durante este processo.
Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ocitocina responsável pela contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; endorfinas responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela produção de leite; ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em reposta aos hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações hormonais do corpo materno; prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero para responder a ocitocina com a dilatação.
Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode desencadear a produção de adrenalina?? Frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulhento.
Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ocitocina responsável pela contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; endorfinas responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela produção de leite; ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em reposta aos hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações hormonais do corpo materno; prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero para responder a ocitocina com a dilatação.
Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina, estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode desencadear a produção de adrenalina?? Frio, mau humor, medo, auto piedade, conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce, preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito iluminado, barulhento.
Podem existir dois ciclos rondando este processo de trabalho de parto e parto:
NEGATIVO – Medo – Dor – Tensão
POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar
POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar
Portanto a mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu corpo, precisa ser permitida e permitir seu corpo agir. Para isso é necessário: sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em um ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.
A dilatação e o nascimento acontecem em diversas fases e forma progressiva, é comum mulheres terem contrações que podem se manter durante horas e depois passar, podem ser incômodas ou tão fracas que você pode continuar fazendo as atividades do dia a dia, chamamos isso de “falso trabalho de parto” ou “pródomos de trabalho de parto” O importante neste momento é descansar, se alimentar, segurar a ansiedade, aproveitar os últimos momentos de barrigão e... NÃO ficar triste pois estas contrações são importantes e úteis para: a centralização do colo, o amolecimento do mesmo, a insinuação e descida do bebê na pelve materna , etc.
Podem ocorrer também: perda do tampão mucoso – secreção espessa, consistente com ou sem raias de sangue – pode acontecer no início do TP ou durante o TP. As vezes depois da perda do tampão o trabalho de parto pode demorar alguns dias para ser efetivo; rompimento da bolsa – uma grande ou pequena quantidade líquido escorre pelas pernas, um rompimento cedo da bolsa (fora de trabalho de parto) ocorre em 6 – 19% dos partos a termo ( idade gestacional maior que 37 semanas) e então 70% dessas mulheres darão a luz em até 24h e outras 30% em 48h, importante comunicar o médico e/ou sua parteira; uma dor contínua e maçante na região lombar, que pode ser causada pelas contrações uterinas ou uma diarréia, pois existe uma tendência natural de esvaziar o intestino no período que antecede o início do trabalho de parto.
O trabalho de parto se divide “didaticamente” em duas fases:
FASE LATENTE: dilatação entre 2 a 3 cm; o colo do útero mais afina do que dilata, com duração média de 8 horas em mães de primeira viagem e 5 horas em mães com mais de um parto. As contrações acontecem a cada 20 ou 30 min com duração de 20 a 30 segundos.
O que fazer neste momento?? Conversar com sua doula, obstetra ou parteira, alimentar-se, descansar, passear, enfim...aproveitar e economizar energia para a próxima etapa.
FASE ATIVA: dilatação maior ou igual a 4cm, aumentando progressivamente; o colo do útero mais dilata do que afina; com duração média 6 a 12 horas, as contrações aumentam progressivamente até que na fase final de dilatação chegam a ter intervalos de um minuto e meio e podem durar cerca de 60 a 90 segundos.
O que fazer na fase ativa do trabalho de parto?? Ter a companhia de sua doula, familiares de seu desejo, estar em um ambiente calmo, familiar, aquecido, aconchegante, tomar uma ducha gostosa, ficar na banheira, dançar, ouvir música, se alimentar, fazer exercícios na bola, caminhar, receber massagens, gritar, enfim... o que você tiver vontade: permita o seu corpo!!!
O parto é dividido “didaticamente“ em 4 períodos:
Dilatação que é trabalho de parto, o expulsivo que inicia-se com 10 cm e presença de vontade de empurrar (puxos) e se entende até saída do bebê; a dequitação que inicia-se após o nascimento do bebê até o término do desprendimento da placenta e o período de Greenberg que é um período de recuperação e contração do útero, para que não aconteça hemorragia, se estende a 1 hora após o término do parto (saída da placenta), momento em que se procede os cuidados como medicações e sutura se necessário. Portanto como podemos ver o parto só termina quando a placenta sai.
A adrenalina que nós queríamos lá no início do trabalho de parto, agora é muito bem vinda pois, têm um papel de interação entre mãe e bebê após o parto e durante as últimas contrações antes do nascimento, seu nível de adrenalina se eleva bruscamente, é por isso que assim que se iniciam os PUXOS as mulheres ficam ALERTAS, tendem a optar pela posição vertical, cheias de energia e com uma súbita necessidade de se agarrar a alguém ou algo. Para o bebê o afluxo de noradrenalina possibilita que se adapte a privação de oxigênio, e que esteja alerta ao seio da Mãe. O bebê ativo abre os olhos e busca o contato com a Mãe, o que libera mais ocitocina, fundamental para os momentos seguintes do processo como dequitação da placenta e amamentação.
O coquetel de hormônios necessário para o nascimento está em nosso corpo e quando protegemos a fisiologia permitindo o corpo atual, percebemos o quão é importante para o nascimento, desenvolvimento do bebê e vínculos afetivos. Atualmente a rotina hospitalar atual é caracteriza por um violência ( frio, luz forte, manuseio grosseiro, isolamento). O bebê é induzido desnecessariamente a um estado estresse, que provoca a liberação de cortisol que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. Em contra partida no processo de nascimento fisiológico a Mãe secreta endorfinas e hoje sabemos que o bebê também, portanto logoapós o parto o cérebro dos dois estão impregnados de opiáceos e dopaminas que induzem dependência e vínculo.
Optar e se preparar para um trabalho de parto e parto ATIVOS e de forma NATURAL é ser respeitada, permitir-se fazer o que tiver vontade; ser instintiva; mudar de posições, entregar-se, assumir posições verticais que ajudam a aumentar a dimensão da pelve, a gravidade ajuda a descida do bebê, rotação interna do bebê e circulação sanguínea útero-placentária. E acima de tudo ter autonomia sobre o seu corpo e ter co-reponsabilidade no processo do nascimento de sua família.
Optar por intervenções é assumir riscos, começando pelo risco de precisar de mais de uma intervenção, o uso de hormônios sintéticos (ocitocina), medicações (anestésicos ou analgésicos) e condições de atendimento e ambiente não adequadas podem interferir e/ou interromper a rede fisiológica hormonal e a sequencia do trabalho de parto e parto. Os hormônios sintéticos causam efeitos físicos em determinadas partes do corpo, mas não comportamentais como os produzidos pelo próprio cérebro. A ocitocina materna atravessa a placenta e entra no cérebro do bebê durante o trabalho de parto, agindo para proteger as células cerebrais fetais “desligando-as” e diminuindo o consumo de oxigênio, em um momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são NATURALMENTE baixos. A ocitocina sintética, porém, não têm a capacidade de ultrapassar a parede placentária portanto, não atingirá o organismo do bebê.
Acredite no seu corpo, dedique-se a você, leia, participe de grupo e busque os melhores profissionais e alternativas para o seu parto. VOCÊ PODE!!!
Bibliografia:
- Parto Ativo - Janet Balaskas. Ed. Ground
- WorkShop: “ Parto como escapar das armadilhas” – Michel Odent.Julho de 2011, São Paulo. Anotações pessoais: Adriana de Lima Mello
- A cientificação do Amor – Michel Odent
- Parto, aborto e puerpério – Ministério da Saúde.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Vínculo Pós-Parto: 15/04
Próximo encontro dia 15/04. Falaremos sobre: "Criação com apego: o sono do bebê".
Inscrições abertas. Para se inscrever, clique AQUI!
Inscrições abertas. Para se inscrever, clique AQUI!
terça-feira, 2 de abril de 2013
Recepção humanizada ao recém nascido
A humanização do nascimento compreende os esforços para evitar condutas intempestivas e agressivas para o bebê, mesmo que já agregadas a rotina hospitalar. Através de atenção qualificada e individualizada o pediatra/neonatologista buscará garantir o bem estar do recém nascido com foco na interação entre a mãe e seu bebe no momento do nascimento.
O atendimento ao recém nascido, fruto de uma gestação de baixo risco, normalmente envolve procedimentos simples que devem ser discutidos com a gestante preferencialmente durante o pré natal. Infelizmente nem todos hospitais disponibilizam as práticas de atenção ao recém nascido de acordo com as evidências cientificas e nem toda rotina é totalmente benéfica tanto para a mãe quanto para o recém nascido.
Logo apos o nascimento, verificando-se que o RN está respirando ou chorando, e que os batimentos cardíacos estão adequados, seca-se o bebe com campos previamente aquecidos e colocando-o em contato pele a pele com a mãe. A transição do ambiente intrauterino para o ambiente seco e frio da sala de parto facilita a perda de calor resultando em grande consumo de energia. O contato pele a pele imediato favorece a manutenção da temperatura corporal do recém nascido, melhora a relação de vinculo e apego entre mãe e filho, facilita a estabilização cardiorespiratoria do neonato além de mostrar uma associação positiva com o tempo de amamentação mais prolongado.
Sempre que as condições da mãe e do RN permitirem, o primeiro contato pele a pele deve ser feito imediatamente após o parto. (Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Um bebe que apresenta boa vitalidade não necessita de qualquer manobra de reanimação. Os procedimentos especializados como aspiração de vias aéreas devem ser garantidos aos bebes em risco para ser utilizados somente quando necessário. No entanto a aspiração de rotina de bebes saudaveis, como realizada de rotina em diversos hospitais deve ser evitada tanto pelo desconforto quanto pelo reflexo vagal com bradicardia que pode associar-se a esta manobra.
O momento adequado para se realizar o clampeamento do cordão umbilical foi motivo de discussão por muitos anos. Recentemente, varias publicações mostraram a relação benéfica em se aguardar de 2 a 3 minutos ou mesmo o final da pulsação do cordão no caso dos partos normais. O clampeamento tardio do cordão aumenta o volume de sangue do recém nascido e desta maneira eleva as reservas de ferro prevenindo a anemia durante a infância.
Três metanálises recentes com vários ensaios clínicos randomizados, além de um estudo nacional,18 concluíram que o clampeamento em tempo oportuno do cordão umbilical é benéfico em comparação ao clampeamento imediato com relação aos índices hematológicos na idade de 3 a 6 meses. (Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Aleitamento materno logo após o parto
Quando possível e estando a mãe de acordo, pode-se adiar os procedimentos de rotina durante a primeira hora de vida, evitando-se a separação entre mãe e bebe de forma a promover o inicio da amamentação. Neste momento é comum o recém nascido se encontrar em estado de alerta com o reflexo de sucção acentuado. O inicio precoce do aleitamento materno resulta em inúmeros benefícios destacando-se o fortalecimento do vinculo materno, o aumento da produção de colostro e a liberação de ocitocina que resulta em aumento da contração uterina que facilita a eliminação da placenta. Além disso a pratica de amamentação logo apos o nascimento tem sido associada ao aleitamento materno exclusivo por tempo mais prolongado.
Amamentação na sala de parto resulta em benefício imediato e ao longo prazo para a saúde do bebê. (Sociedade de Pediatria de Sao Paulo, 2008)
A Organização Mundial de Saúde recomenda que o aleitamento materno seja iniciado na primeira hora de vida, pois está associado a menor mortalidade neonatal, maior período de amamentação, melhor interação mãe-bebê e menor risco de hemorragia materna.(Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Método de Credê e a profilaxia da oftalmia gonocócica
O método de Credê (decreto n. 9713 de 19/04/1977) consiste em pingar uma gota de colírio com solução de nitrato de prata 1% em ambos os olhos do recém nascido até uma hora apos o nascimento. Este colírio tem ação preventiva para os casos onde há a contaminação pela presença da bactéria causadora de gonorréia no canal vaginal da mãe. Não tem qualquer efeito em outros microorganismos relacionados a conjuntivite neonatal. Estudos relatam que menos de 35% dos hospitais do Brasil disponibilizam o colírio de nitrato de prata, oferecendo em seu lugar, de forma equivocada, um colírio a base de vitelinato de prata 10% (Argirol) de ação menos eficaz e inadequado para prevenção da oftalmia gonocócica. A utilização dos colírios de ação cáustica e inflamatória estão associados a conjuntivite química com duração de aproximadamente 48 horas.
Vitamina K e doença hemorrágica neonatal
O objetivo da profilaxia é garantir um estoque adequado de vitamina K que seja capaz de prevenir a doença hemorrágica neonatal. Ainda hoje, existem controvérsias acerca da melhor forma de administração profilática da vitamina K, oral ou intramuscular, levando-se em consideração a eficácia, efeitos colaterais, custo e aderência ao tratamento. Tanto a administração IM quanto a oral mostram-se eficazes para prevenir a doença hemorrágica. A administração intramuscular única de 1 mg de vitamina K, imediatamente após o nascimento é um esquema bastante utilizado. Entretanto, a dor relacionada a injeção e poucos relatos de complicações quanto à administraçao intramuscular faz com que alguns pais optem por um método menos invasivo como a administração oral que consiste em 2mg em três doses. Apesar da administração oral estar relacionada com resposta inferior nos quadros de hemorragia de aparecimento tardio, quando comparado com a via intramuscular, ainda é considerada adequada para prevenção da doença hemorrágica se administrada corretamente.
Vacina da Hepatite B e prevenção da transmissão vertical.
A vacinação do recém nascido contra a hepatite B é preconizada para até 24 horas do nascimento, preferencialmente até 12 horas de vida. Esta política de saúde visa prevenir a transmissão perinatal que pode ocorrer principalmente durante o parto nos casos em que a gestante é portadora do vírus da hepatite B (HBsAg positivo) ou cuja sorologia para hepatite B é desconhecida. Uma vez que o risco de transmissão é muito alto e a evolução dos quadros para hepatite crônica é muito freqüente nas crianças infectadas no momento do parto, a vacinação sistemática é recomendada nas primeiras horas de nascimento (Resolução SS39 de 01/04/05). A vacina isoladamente é capaz de reduzir a transmissão vertical em mais de 85% das vezes. No caso de gestantes sabidamente portadoras do VHB o hospital deve ser avisado para providenciar também a imunoglobilina especifica que aumenta ainda mais a proteção do recém nascido.
Todo casal tem o direito de receber as informações sobre cada procedimento realizado, bem como solicitar que o procedimento seja realizado na presença da mãe ou acompanhante por ela determinado. Isto inclui pesagem, avaliação clinica e administração de medicações. Após finalizados os procedimentos de identificação e cuidados do recém nascido, a mãe juntamente com o seu RN, deve ser encaminhada pro quarto em sistema de alojamento conjunto onde eles possam ficar juntos todo o tempo até a alta hospitalar. A própria mãe deve prestar os primeiros cuidados ao filho, e deve dispor da ajuda de profissionais de enfermagem ou de acompanhantes quando julgar necessário. Por lei federal, todas as maternidades devem oferecer esta modalidade de assistência que tem como maior vantagem facilitar o aleitamento materno em esquema de livre demanda.
O atendimento ao recém nascido, fruto de uma gestação de baixo risco, normalmente envolve procedimentos simples que devem ser discutidos com a gestante preferencialmente durante o pré natal. Infelizmente nem todos hospitais disponibilizam as práticas de atenção ao recém nascido de acordo com as evidências cientificas e nem toda rotina é totalmente benéfica tanto para a mãe quanto para o recém nascido.
Logo apos o nascimento, verificando-se que o RN está respirando ou chorando, e que os batimentos cardíacos estão adequados, seca-se o bebe com campos previamente aquecidos e colocando-o em contato pele a pele com a mãe. A transição do ambiente intrauterino para o ambiente seco e frio da sala de parto facilita a perda de calor resultando em grande consumo de energia. O contato pele a pele imediato favorece a manutenção da temperatura corporal do recém nascido, melhora a relação de vinculo e apego entre mãe e filho, facilita a estabilização cardiorespiratoria do neonato além de mostrar uma associação positiva com o tempo de amamentação mais prolongado.
Sempre que as condições da mãe e do RN permitirem, o primeiro contato pele a pele deve ser feito imediatamente após o parto. (Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Um bebe que apresenta boa vitalidade não necessita de qualquer manobra de reanimação. Os procedimentos especializados como aspiração de vias aéreas devem ser garantidos aos bebes em risco para ser utilizados somente quando necessário. No entanto a aspiração de rotina de bebes saudaveis, como realizada de rotina em diversos hospitais deve ser evitada tanto pelo desconforto quanto pelo reflexo vagal com bradicardia que pode associar-se a esta manobra.
O momento adequado para se realizar o clampeamento do cordão umbilical foi motivo de discussão por muitos anos. Recentemente, varias publicações mostraram a relação benéfica em se aguardar de 2 a 3 minutos ou mesmo o final da pulsação do cordão no caso dos partos normais. O clampeamento tardio do cordão aumenta o volume de sangue do recém nascido e desta maneira eleva as reservas de ferro prevenindo a anemia durante a infância.
Três metanálises recentes com vários ensaios clínicos randomizados, além de um estudo nacional,18 concluíram que o clampeamento em tempo oportuno do cordão umbilical é benéfico em comparação ao clampeamento imediato com relação aos índices hematológicos na idade de 3 a 6 meses. (Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Aleitamento materno logo após o parto
Quando possível e estando a mãe de acordo, pode-se adiar os procedimentos de rotina durante a primeira hora de vida, evitando-se a separação entre mãe e bebe de forma a promover o inicio da amamentação. Neste momento é comum o recém nascido se encontrar em estado de alerta com o reflexo de sucção acentuado. O inicio precoce do aleitamento materno resulta em inúmeros benefícios destacando-se o fortalecimento do vinculo materno, o aumento da produção de colostro e a liberação de ocitocina que resulta em aumento da contração uterina que facilita a eliminação da placenta. Além disso a pratica de amamentação logo apos o nascimento tem sido associada ao aleitamento materno exclusivo por tempo mais prolongado.
Amamentação na sala de parto resulta em benefício imediato e ao longo prazo para a saúde do bebê. (Sociedade de Pediatria de Sao Paulo, 2008)
A Organização Mundial de Saúde recomenda que o aleitamento materno seja iniciado na primeira hora de vida, pois está associado a menor mortalidade neonatal, maior período de amamentação, melhor interação mãe-bebê e menor risco de hemorragia materna.(Manual do Ministério da Saúde, 2011)
Método de Credê e a profilaxia da oftalmia gonocócica
O método de Credê (decreto n. 9713 de 19/04/1977) consiste em pingar uma gota de colírio com solução de nitrato de prata 1% em ambos os olhos do recém nascido até uma hora apos o nascimento. Este colírio tem ação preventiva para os casos onde há a contaminação pela presença da bactéria causadora de gonorréia no canal vaginal da mãe. Não tem qualquer efeito em outros microorganismos relacionados a conjuntivite neonatal. Estudos relatam que menos de 35% dos hospitais do Brasil disponibilizam o colírio de nitrato de prata, oferecendo em seu lugar, de forma equivocada, um colírio a base de vitelinato de prata 10% (Argirol) de ação menos eficaz e inadequado para prevenção da oftalmia gonocócica. A utilização dos colírios de ação cáustica e inflamatória estão associados a conjuntivite química com duração de aproximadamente 48 horas.
Vitamina K e doença hemorrágica neonatal
O objetivo da profilaxia é garantir um estoque adequado de vitamina K que seja capaz de prevenir a doença hemorrágica neonatal. Ainda hoje, existem controvérsias acerca da melhor forma de administração profilática da vitamina K, oral ou intramuscular, levando-se em consideração a eficácia, efeitos colaterais, custo e aderência ao tratamento. Tanto a administração IM quanto a oral mostram-se eficazes para prevenir a doença hemorrágica. A administração intramuscular única de 1 mg de vitamina K, imediatamente após o nascimento é um esquema bastante utilizado. Entretanto, a dor relacionada a injeção e poucos relatos de complicações quanto à administraçao intramuscular faz com que alguns pais optem por um método menos invasivo como a administração oral que consiste em 2mg em três doses. Apesar da administração oral estar relacionada com resposta inferior nos quadros de hemorragia de aparecimento tardio, quando comparado com a via intramuscular, ainda é considerada adequada para prevenção da doença hemorrágica se administrada corretamente.
Vacina da Hepatite B e prevenção da transmissão vertical.
A vacinação do recém nascido contra a hepatite B é preconizada para até 24 horas do nascimento, preferencialmente até 12 horas de vida. Esta política de saúde visa prevenir a transmissão perinatal que pode ocorrer principalmente durante o parto nos casos em que a gestante é portadora do vírus da hepatite B (HBsAg positivo) ou cuja sorologia para hepatite B é desconhecida. Uma vez que o risco de transmissão é muito alto e a evolução dos quadros para hepatite crônica é muito freqüente nas crianças infectadas no momento do parto, a vacinação sistemática é recomendada nas primeiras horas de nascimento (Resolução SS39 de 01/04/05). A vacina isoladamente é capaz de reduzir a transmissão vertical em mais de 85% das vezes. No caso de gestantes sabidamente portadoras do VHB o hospital deve ser avisado para providenciar também a imunoglobilina especifica que aumenta ainda mais a proteção do recém nascido.
Todo casal tem o direito de receber as informações sobre cada procedimento realizado, bem como solicitar que o procedimento seja realizado na presença da mãe ou acompanhante por ela determinado. Isto inclui pesagem, avaliação clinica e administração de medicações. Após finalizados os procedimentos de identificação e cuidados do recém nascido, a mãe juntamente com o seu RN, deve ser encaminhada pro quarto em sistema de alojamento conjunto onde eles possam ficar juntos todo o tempo até a alta hospitalar. A própria mãe deve prestar os primeiros cuidados ao filho, e deve dispor da ajuda de profissionais de enfermagem ou de acompanhantes quando julgar necessário. Por lei federal, todas as maternidades devem oferecer esta modalidade de assistência que tem como maior vantagem facilitar o aleitamento materno em esquema de livre demanda.
Maria Otilia Bianchi - Pediatra e Neonatologista
15:03
Equipe - Grupo Vínculo



















