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Um novo ano, um novo olhar sobre o nascimento

“Interlúdico do Bebê 3: Um Novo Olhar Sobre o Nascimento”



Um recém-nascido entre um asno e um boi: hoje muita gente compartilha esse imagem simplificada do Nascimento.

            Minha própria imagem do Nascimento é inspirada pelo o que eu aprendi de mulheres que colocam no mundo seus bebês numa intimidade completa, sem se sentir conduzidas ou observadas. Ela é também influenciada por algumas leituras, tais como do proto-evangélio de Jacques o Menor. Segundo Jacques, assim que Maria começou a dar à luz, José partiu em busca de uma parteira. Assim que ele retornou com a parteira, Jesus já havia nascido. Foi somente quando uma luz brilhante se atenuou que a parteira se encontrou diante de uma cena incrível: Jesus já havia encontrado o seio de sua mãe! Segundo Jacob Lorber, no seu livro sobre a infância de Jesus, a parteira teria exclamado que esse criança se conduziria, tornando-se homem, segundo as leis do Amor e não segundo as leis estabelecidas pelos homens.
           
No dia em que Jesus estava prestes a vir ao mundo Maria, recebeu uma mensagem – uma mensagem de humildade. Ela se encontrava num estábulo, entre outros mamíferos. Sem palavras para dizer, suas companhias lhe ajudaram a compreender que nestas circunstâncias só lhe restava aceitar sua condição de mamífero. Era necessário secretar os mesmos hormônios que outros mamíferos secretam quando elas colocam no mundo seus bebês, fazendo agir a parte primitiva de cérebro que nós temos em comum.

            A situação era ideal para que Maria se sentisse em segurança. O “trabalho de parto” ocorreu nas melhores condições possíveis.


            [...] Pouco depois do seu nascimento, o recém-nascido Jesus estava nos braços de uma mãe extática, tão instintiva como uma mãe mamífero em condições semelhantes. Foi numa atmosfera verdadeiramente sagrada que Jesus foi acolhido e que ele pode, facilmente e progressivamente, eliminar os hormônios de estresse que ele teve necessidade de secretar para nascer. O corpo de Maria estava bem quente. Mesmo o estábulo estava quente, graças à presença dos animais. Instintivamente Maria cobriu o corpo do bebê com uma roupa que ela tinha em suas mãos. Ela ficou fascinada pelos olhos de seu bebê e nada poderia distraí-la da intensidade do cruzamento de olhares que se estabelecia. Esse cruzamento de olhares lhe permitiu alcançar um outro pico de ocitoxina, o que provocou uma nova série de contrações uterinas que enviou ao bebê um pouco de sangue precioso acumulado na placenta. Logo a placenta foi desprendida.

            [...] Depois do desprendimento da placenta ela se deitou de lado com o bebê próximo de seu coração. De repente, Jesus virou a cabeça para a direita e para a esquerda, e finalmente abriu a boca em forma de O. Conduzido pelo cheiro, ele se aproximou cada vez mais do seio. Maria, que estava ainda sob efeitos de um equilíbrio hormonal particular e, portanto, muito instintiva, sabia perfeitamente como segurar o bebê e fazer os gestos necessário para ajudar o bebê a encontrar o seio.

            [...] Jesus mamou por muito tempo e vigorosamente. Com o apoio de sua mãe, ele saiu vitorioso de um dos episódios mais críticos de sua vida. Em poucos instantes, ele se adaptou à atmosfera e começou a utilizar seus pulmões, se adaptou às forças de seu peso e às diferenças de temperatura e entrou no mundo dos micróbios. Jesus é um herói!


            Não havia relógio no estábulo. Maria não procurou saber quanto tempo Jesus permaneceu em seus seios antes de adormecer. Na noite seguinte, Maria teve apenas alguns episódios de sono leve. Ela esteve vigilante, protetora e ansiosa por satisfazer às necessidades da mais preciosa das criaturas terrestres. Nos dias seguintes, Maria aprendeu a sentir quando seu bebê apresentava necessidade de ser embalado. Havia tanta harmonia entre eles que ela sabia perfeitamente adaptar o ritmo de embalar às necessidades do bebê. Enquanto embalava, Maria se punha a cantarolar melodias e reunir algumas palavras. Como milhões de outras mães, ela havia descoberto as embaladeiras. Foi assim que Jesus começou a aprender sobre o movimento e, portanto, sobre o espaço. Foi assim que ele aprendeu também o que é o ritmo e, portanto, ele começou a adquirir a noção de tempo. Ele entrou progressivamente na realidade espaço-tempo. Em seguida, Maria introduziu gradativamente palavras, cantarolando suas cantigas de ninar. Foi assim que Jesus absorveu sua língua maternal.


Fonte: Michel Odent, “A Cientificação do Amor”. Saint Germain: Florianópolis,2002.

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